17.3.11

necessidades*

Alguns processos na vida são devastadores, não?!
Falamos do desejo incompreensível do primeiro amor, da primeira morte vivenciada, da primeira conquista suada...mas não só por ser primeiros/a, muito mais por ter um imenso significado em nossa rotina de pensamento e sentimentos. Já notou que temos rotina de sentimentos?!
Sério, já notou que costumamos nos chatear com as mesmas coisas, pessoas e afins, da mesma maneira? Tá, vai me dizer que não tem nada demais nisso, já que tem coisas que realmente não gostamos. Mas não! Nos chateamos com os mesmos processos porque não refletimos a respeito de nossas vidas, de nossos entornos!
Foucault (sim, cá estou eu com o dito cujo novamente) resgata o cuido de si justamente para nos incitar a nos questionarmos a respeito de nossos processos (arte de governar) e, a partir daí conhecermos a nós mesmos. Certo, tá bem resumido...até demais né?! Mas fazer o que? Esse texto de hoje é mais pra desabafo do que para explicação...acompanhe...
Se passamos por um estado de morte, sabemos que não existe mais possibilidade de mudança; mas, se passamos por qualquer outro estado, material, espiritual ou emocional, nós mesmos é que o fazemos, mesmo que em relação ao que tem se passado. Claro, a morte também pode ser vista dessa maneira se a considerarmos cultural, mas se morreu, morreu né?!
Hoje não irei nomear a crise, só irei me indignar comigo mesma acerca de minhas posturas de vida. Não posso dizer que estou apática quanto à reflexão e atitudes de meus processos e projetos, mas, infelizmente, tenho que admitir que tenho sofrido por muito tempo com a mesma área em minha vida. E, por mais que eu tente arranjar algum “culpado” para minhas não conquistas, é impossível não perceber que o problema permanece na medida em que não reflito outra maneira de solucioná-lo. Problema este que pode ser visto apenas a partir de minha perspectiva, mas não necessariamente que outra pessoa não ache que também é um problema.
Acho que o que quero dizer é que minha dor significa quem eu sou agindo e cuidando de mim. Portanto, também é minha criação. E, como dor, se quero aliviá-la, devo me cuidar de outra maneira talvez.
Alterar significados é devastador. Mudar postura, perspectiva, refletir a partir de outros argumentos...nossa, que exercício árduo. Firmei-me tanto em certas necessidades que deixar que fazê-las ser necessárias chega a parecer impossível!
Não sei se a busca perfeita é a do equilíbrio, até porque adoro os escândalos, mas sei que estar soterrado em certas circunstância é assombroso. Perturba o sono, mexe com as entranhas...e nem sempre estou “forte” para remoer miúdos e perceber que eles dão saborosos pratos.

trilha: http://www.youtube.com/watch?v=HN0_mN7fWa8

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