17.1.11

Vício maroto*

Sou um tanto viciada em leitura, tenho que admitir. Não vejo como um sendo um bom vício...vícios não costumam ser bons não?!
Leio para fugir da minha necessidade de pensar e refletir acerca de mim mesma em minha própria vida. E escrevo para me encontrar nas informações e pensamentos que vou adquirindo durante certo tempo com relação a mim mesma. É por isso que leio muito mais o que escrevo!
Meus pensamentos se tornaram um tanto complicados neste fim de semana. Recebi certeza informações que eram apenas dúvidas pertinentes, e eu já havia conseguido lidar com minhas dúvidas. Agora tenho que me esforçar para lidar com as certezas. Dizem que a ignorância é uma dádiva em certas ocasiões. Acho que a ignorância é uma dádiva nas ocasiões em que já aprendemos a lidar com as dúvidas.
Desde o começo de 2010 tento levar a diante um conhecimento que pude obter a partir de Foucault: Conhece-te a ti mesmo. Mas, para que isso ocorra é preciso : Cuidar de si. São ensinamentos gregos que Foucault teve astuta suficiente para nos ajudar a compreender.
Mas sabe, tentar compreender minhas posturas e decisões...destrinchar meus locais de incógnitas...me debater em sensações ambíguas e contraditórias, é um exercício ao qual não vejo como me habituar. Não que eu não o faça...mas sempre é difícil e doloroso. Às vezes me sinto obrigada a parar por não suportar a dor de me conhecer.
Sou viciada em leitura porque o vício da escrita me sucumbiria!*

11.1.11

Filosofia? Brasil?*

E o que é a Filosofia aqui no Brasil?
Pois é, se fizermos um retorno substancial na história, notaremos que para se fazer filosofia, se vivia o que se estudava e se estudava a vida. Platão, Aristóteles, Descarte, até Kant, a sua maneira, viveram o que estudavam. Seus escritos eram traçados a maneira de suas vidas. Estudar a biografia desses e de outros filósofos, nos ajuda a entender suas teorias e conceitos.
Mas, e hoje? Temos a real oportunidade de estudarmos nossas maneiras de viver, ou de vivermos nossos estudos?
Esses últimos dias tenho passado por um certo tormento. Em uma das diversas aulas que participei durante meu curso universitário estudamos a estrutura do funcionamento do ensino fundamental e médio aqui do Estado de São Paulo.
Durante todo o curso pudemos debater e discutir a respeito tanto da formação dos/a professores/a como da postura e necessidade dos/a estudantes. Tive minhas opiniões e posicionamentos, ouvi os exemplos e conceitos vindos da professora e também tive a oportunidade de ouvir como meus/minhas colegas de sala compreenderam o assunto.
De tudo o que foi dito e discutido, pude notar nesse começo de ano que nada importou. Não por não ser importante, mas por não darmos importância. Às vezes não importa o que dizemos e sim o que fazemos.
A filosofia é vista, por mim, pelo menos, como uma maneira de se viver. E não vejo pensamento que se sobressaia a atitude quando se trata de ação. Não determino com isso qual dos dois venha primeiro, até porque isso pouco me importa aqui. O que quero dizer é que o que as pessoas conseguem compreender é a atitude de outra pessoa, não seu pensamento. Não adianta um alguém pensar e não conseguir obter uma ação através daquele pensamento. O mundo abstrato é pautado em exemplos de vivências.
A filosofia lida com a construção de vidas. Com os passos que cada pessoa pode realizar a cada momento. Essa é a beleza! Saber porque, como, quando e por onde você caminhou para chegar onde chegou, e poder tentar delimitar os caminhos para alcançar o que acha que quer alcançar.
A mudança faz parte desse processo. Não se limitar a regras que não lhe cabem é uma maneira de caminhar. Sabendo, é claro, como as regras foram impostas e o por que elas não lhe cabem.
Na aula que citei, uma das conclusões que obtivemos foi a de que o/a professor/a tem que dar aula para a/o estudante, portanto, ensinar o/a estudante. E, só se esina estudante quando este/a aprende. Assim, só há ensinamento quando há aprendizagem.
É lógico, parece sensato e a primeira vista, não vemos outra maneira de o ser, certo?! Sempre foi assim, não foi?
NÃO! O problema é que NUNCA É ASSIM! São raros os/a profissionais que atuam dessa maneira. Até mesmo os que estudam isso não atuam assim. É difícil! É difícil admitir que queremos ensinar algo que o/a estudante não quer aprender, ou quer mas não consegue pelos moldes que tentamos passar.
E é mais complicado ainda quando o/a estudante aprende o que quisermos passar, mas não do nosso jeito.
A escola, a universidade, instutuições de ensino tentam nos moldar, nos formar (de forma - tipo de bolo sabe?!) a maneira deles, e não na maneira como queremos. É claro que para querermos uma maneira diferente, temos que ter noção da maneira que estão tentando nos colocar. Mas quer saber, mesmo assim é muito difícil escapar desse tipo de formação.
Nas Ciências Sociais damos o nome de Estado, nos bancos, de Sistema, mas...e na Filosofia? Podemos chamar isso de Ensinamento para Vida?
Pois é ... e o que é a Filosofia aqui no Brasil?

7.1.11

Meu samba*

E o ano começa com um acorde de cavaco, meio esgasgado, confesso, mas o primeiro de uma melodia alegre, mesmo que com letras tristes. Convenhamos que no samba há muita tristeza!
Não sei pra você, mas pra mim o ano sempre começa com certos conflitos. Às vezes os mesmos do fim do ano passado, às vezes com a expectativa aflorada o suficiente para engrandecer um problema que nem é tão grande assim.
Escuto as reclamações de trabalho excessivo vindo dos que tem um serviço a "cumprir"...também escuto inúmeras reclamações de quem procura pelo emprego tão desejado...escuto...escuto...
Só para variar, não sei como me comportar nesses momentos de grandes promessas. Sei que antes falava muito mais, que brigava muito mais...antes, eu creditava muito mais no impossível.
Sei que hoje crio e sigo meus planos com mais clareza, com mais afinco. Mas também percebo que meu samba fica menos belo, mais sofrido e muito mais calado. Meu sambam...chega a ser injusto dizer que "um acorde engasgado" faz com que o samba também seja meu, não?!
Meu samba ainda está pouco belo, sofrido e calado*